Crítica

  • Um Céu de Estrelas, por Tanamara Mikalixen

    A cabeleireira Dalva vence um concurso e ganha uma passagem para Miami, e com isso, finalmente, vê sua chance de mudar de vida e sair da situação opressiva que leva ao lado de sua mãe controladora e seu ex-noivo Vítor. A cena de abertura do filme de Tata Amaral parece inofensiva. Dalva (Leona Cavalli) pós…

  • PELE NEGRA TELA BRANCA: COMPASSO DE ESPERA

    A espera do compasso é o tempo em que um músico aguarda sua deixa para entrar no ritmo da melodia. “Compasso de Espera” é escrito e dirigido por Antunes Filho, dramaturgo e diretor de teatro de relevância, branco. O filme narra a solidão de um poeta e publicitário negro de classe média: Jorge, interpretado por…

  • Conhecer de vista: Quelé do Pajeú

    Tal como as cenas iniciais de Quelé do Pajeú, Anselmo Duarte está longe de desfrutar de um cômodo consenso crítico. Apesar de ter conquistado a única Palma de Ouro já atribuída a uma produção nacional, com O Pagador de Promessas (1962), ele permanece numa ingrata zona cinza da história da cinematografia brasileira. Chamá-lo de cinemanovista…

  • O Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti 

    Em torno de 1953, época em que “O Canto do Mar” foi gravado e distribuído, o Brasil experimentava os primeiros anos de uma forte, e tardia, transformação social. A urbanização, a industrialização, e a sociedade de massa solidificavam suas raízes — cada vez mais fincadas quase exclusivamente na região Sudeste do país, onde grandes cidades…

  • Ôrí, dir. Raquel Gerber (1989)

    Eu me lembro dos fatosQue meu avô cantava nas noites de frioNão chorava, porém não sorriaMentir não mentia, fingir não fingiu Deu bandeira, dançou na primeiraDançou capoeira, dançou de bobeiraDançou na maior, deu canseiraSambou na poeira, tossiu na fileiraDançou pra danar Liberdade além do hÔrízonteMorreu tanta gente de tanto sonharQuem foi? (Foi Zumbi!) Itamar Assumpção –…

  • ADEUS ANO VELHO – BABILÔNIA 2000

    No filme, o quão enganosamente simples são as coisas talvez só seja menos arrebatador que perceber o quão verdadeiramente simples elas são. Não é nenhum segredo e talvez seja até um pouco envelhecida a ideia de que é necessária uma complexidade desproporcional para chegar numa compreensão (analítica e reprodutiva) da simplicidade. Porém, também não é…

  • Amanhã (Bar esperança, Hugo Carvana, 1983)

    A vista fica duplicada: o efeito que um filme tão marcadamente atrelado a determinado tempo e lugar é capaz de provocar, observado com a distância dos anos, é dos mais complexos. Em que ano estamos, mesmo? O que era um bar (ou, o BRA… sil, como, algumas doses depois, poderia embaraçar o bêbado) em 1983…

  • Cineclube São Bernardo: uma conversa em espiral com Adriana Figueiredo, atriz de Feminino Plural (1976)

    O Cineclube São Bernardo entrevistou Adriana Figueiredo, cineasta, artista, compositora e atriz que interpreta Vitória em Feminino Plural (1976), também filha da cineasta Vera de Figueiredo. A entrevista contou com a participação dos curadores do CSB e de Catalina Sofia, crítica convidada a escrever sobre o filme. CSB [Gabriel]: Como e em que contexto surgiu…

  • Ousar, sonhar e criar (Feminino Plural, Vera de Figueiredo, 1976)

    Feminino plural inicia do jeito mais real e cru possível no momento em que estampa já em seu título de quem está falando. No – e em – primeiro plano, fora de foco, mas repleto de fluido, sangue e dor apresenta o corpo de uma mulher que exerce ali o que talvez seja o mais…

  • Discreto charme, aurora juvenil

    “Foi no meio do salãoFoi lá por 72Que eu descobria lei dos corposFoi céu aberto, verdes anosPouco mais que nada pra pensar”(Verdes Anos, de Nei Lisboa) Fazer um filme era como montar uma banda de rock na Porto Alegre dos anos 80. Uma gurizada se juntou e com uma câmera super-8 em mãos fez alguns…