O primeiro ano de atividades do cineclube São Bernardo começa com uma mirada ao horizonte do cinema nacional. Ao longo de 2024, o Cineclube inaugura sua programação exibindo filmes brasileiros de diferentes épocas, gêneros e regiões do nosso país, norteados por um amplo horizonte de tons, climas e humores. No horizonte se nota a passagem do tempo, e é na observação do circuito noturno que, em três ciclos distintos, pretendemos trazer o cinema brasileiro à tela.
Trabalhando com o horizonte como metáfora, começaremos pelo fim do dia: o pôr do sol. Com sua magia e beleza, ele traz também a incerteza, a densidade da noite. É nessa passagem que pensamos ao elaborar o primeiro ciclo de exibições do cineclube São Bernardo. Intitulado Ocaso no Entardecer, o ciclo apresenta obras que lidam com trânsitos, passagens e transformações. Impasses que se impõem ao corpo – individual ou comunitário – e urgem resoluções. O ciclo acontece entre os meses de abril e julho, contando com a exibição dos filmes Noites Paraguayas (1982, dir.: Aloysio Raulino); Os Homens Que Eu Tive (1973, dir.: Tereza Trautman); Amei um Bicheiro (1952, dir.: Jorge Ileli e Paulo Wanderley); São Bernardo (1972, dir.: Leon Hirszman) e Serras da Desordem (2006, dir.: Andrea Tonacci).
A derrocada do dia aparece como sinônimo de crise. Da capital paulista, na vida de imigrantes e golpistas, às serras brasileiras, onde sobrevive Karapiru, sozinho. É na penumbra da crise que podemos entrever as contradições e rimas de personagens densas, envoltas em uma sociedade de sobrevivência e desigualdade.
Mirando o ocaso adiante, convidamos você a acompanhar a programação do São Bernardo ao longo destas 5 primeiras exibições.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO
Sessão 01 – 11/04/2024 – Noites Paraguayas
Direção: Aloysio Raulino
Ano: 1982
Duração: 92 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Sinopse: Em um caminho de percalços e canções, Rosendo (Rafael Ponzi) deixa o seu vilarejo no interior do Paraguai em busca de trabalho. Sua jornada o leva a São Paulo, onde passa a conviver com um grupo de conterrâneos. A cidade conta suas histórias, do cotidiano de imigrantes, trabalhadores e sobreviventes. Dirigido por Aloysio Raulino, o longa carrega em suas imagens e sons elementos de sonho, de invenção e de saudade, seguindo os rastros da experiência humana de ser estrangeiro.
Sessão 02 – 18/04/2024 – Os Homens Que Eu Tive
Direção: Tereza Trautman
Ano: 1973
Duração: 78 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
Sinopse: Pity (Darlene Glória) tenta ser feliz. Ela é casada com Dode (Gracindo Junior) e se relaciona também com Silvio (Gabriel Arcanjo) e Peter (Arduíno Colasanti). Tudo em comum acordo. Logo, porém, a rotina do casamento, o ciúme entre os homens e a angústia de Pity batem à porta. Ela sente que precisa de uma fuga daquele espaço. Em seu primeiro longa-metragem, a diretora Tereza Trautman conduz, com maturidade, um conto solar de libertação sexual rondado pelos tempos de repressão nos anos 70.
Sessão 03 – 09/05/2024 – Amei um Bicheiro
Direção: Jorge Ileli e Paulo Wanderley
Ano: 1952
Duração: 90 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos
Sinopse: Jogos, negócios e a “fezinha” de sempre. Carlos (Cyll Farney) vai se casar, e parte para o Rio de Janeiro para fazer a vida. Lá, é apresentado ao bicheiro Almeida (José Lewgoy), para quem passa a trabalhar com seu amigo Passarinho (Grande Otelo). Quando sua noiva (Eliana) adoece, Carlos não mede esforços para conseguir o dinheiro para a cirurgia. Com uma narrativa de fugas, casos amorosos e golpes, este filme noir da Atlântida Cinematográfica figura grandes nomes do cinema nacional do período.
Sessão 04 – 23/05/2024 – São Bernardo
Direção: Leon Hirszman
Ano: 1972
Duração: 113 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Sinopse: Sozinho no escuro da noite, Paulo Honório (Othon Bastos) conta sua história. O ex-agiota, em uma manobra oportunista, assumiu a decadente e tradicional fazenda São Bernardo. Ambicioso, recuperou a propriedade, expandiu sua cultura e, desejando um herdeiro, casou-se com Madalena (Isabel Ribeiro). Leon Hirszman dirige a história da ascensão e derrocada do capitalista, em rígidos e longos planos, nesta adaptação do romance de Graciliano Ramos.
Sessão 05 – 06/06/2024 – Serras da Desordem
Direção: Andrea Tonacci
Ano: 2006
Duração: 121 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Sinopse: Karapiru, do povo Awa Guajá, reencena sua trágica jornada atravessando sozinho as serras brasileiras, após ter sua comunidade massacrada por posseiros. Ele sobrevive por anos, até ser encontrado pelo indigenista Sydney Possuelo em uma cidade na Bahia e levado por ele à Funai, em Brasília, ao final dos anos 1980. Serras da Desordem é um documentário que trabalha com as questões sociais e políticas dos povos indígenas através da história de Karapiru, amplamente usada pela imprensa na época.


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