Crítica
-

Interrompendo a cantoria bem comportada que toma conta do bar Continental, Moleque Miro, interpretado por Grande Otelo, entoa os versos de um samba, enquanto marca o compasso da música com o uso percussivo das mãos sobre a mesa. Como uma invocação, um encantamento ou uma predição, por três vezes repete: “há de passar cem anos…
-

“Depois que Deus morreu, tudo é permitido”, esbraveja o personagem Edson em Jardim de Guerra, filme do marcante ano de 1968, dirigido por Neville D’Almeida, em meio a um discurso efusivo sobre a sociedade dos anos 60 e a condição terceiro mundista. Ecoando as falas políticas que coloca na boca de seus personagens, o diretor…
-

Fusão de planos, colagem de materiais de variadas origens, naturezas e suportes, algumas associações que fogem à superfície da consciência. Alternância entre registros p&b e coloridos, modulação intensa de ritmos no interior de uma mesma cena, sobreposições de diferentes espaços e tempos. Recontar a história verídica de Karapiru, que sobreviveu ao massacre de sua aldeia…
-

“Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado”. Começo pelo final. Com a fala que o personagem Paulo Honório, protagonista, discursa em seu monólogo em seu momento derradeiro. Conseguindo descrever em poucas palavras o sentimento que vem permeando a nós, espectadores, ao longo do filme. A dualidade que seu personagem carrega de…
-

Jorge Ileli, ao lado de Paulo Wanderley, inseriu-se na história de nosso cinema com um filme policial produzido pela trágica Atlântida Cinematográfica. Ele tem lugar particular na produção da companhia por não se enquadrar no gênero brasileiro “chanchada” pelo qual a Atlântida se tornou conhecida e dedicou grande parte de seus investimentos. Erguido da criminalidade…
-

Um filme à parte – não parece por completo com nada até então e não se encaixa facilmente em nenhuma tradição do cinema brasileiro apesar de flertar com algumas. É essa, talvez, a observação mais evidente a ser feita sobre Os homens que eu tive. Porém – pegando outro filme notório pelo seu não-pertencimento –…
-

Noites Paraguayas (Aloysio Raulino, 1982) se abre com vários personagens, mostra diversas cenas que oscilam entre o trabalho no campo, o cuidado entre familiares e a rotina de crianças na escola.
