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Leia mais: Lampejos de vida e de autoconsciência em ‘Também somos irmãos’ (1949)Interrompendo a cantoria bem comportada que toma conta do bar Continental, Moleque Miro, interpretado por Grande Otelo, entoa os versos de um samba, enquanto marca o compasso da música com o uso percussivo das mãos sobre a mesa. Como uma invocação, um encantamento ou uma predição, por três vezes repete: “há de passar cem anos até que se esqueçam de mim”. * Produzido pela Atlântida e lançado em 1949, o longa-metragem “Também somos irmãos” é uma espécie de ponto fora da curva entre os filmes realizados pela companhia carioca no período, em um movimento, de acordo com o historiador Orson…
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Leia mais: Serras da Desordem: embaralhamentos temporais e a construção de uma “outra humanidade”Fusão de planos, colagem de materiais de variadas origens, naturezas e suportes, algumas associações que fogem à superfície da consciência. Alternância entre registros p&b e coloridos, modulação intensa de ritmos no interior de uma mesma cena, sobreposições de diferentes espaços e tempos. Recontar a história verídica de Karapiru, que sobreviveu ao massacre de sua aldeia no fim da década de 1970, vai assumindo contornos abertos, instáveis. Se, ainda assim, a introdução do filme não chega a nos dar pistas suficientes a respeito do extraordinário de sua narrativa (pelo contrário, há algo, infelizmente, de bastante conhecido naquilo o que se arma:…