A programação do primeiro ano do Cineclube São Bernardo termina com um olhar para o horizonte em expansão, de matizes ilimitados. O horizonte torna-se visível com os primeiros raios de luz, que suspendem o terror notívago para que vejamos, por um instante, os ares de liberdade e de esperança que se escondem por trás das crises sem fim do sujeito brasileiro. Em cinco filmes surgem novas paisagens para os binóculos de quem se presta a ver. A liberdade e o riso custam caro e não vêm só, os sentimentos vêm acompanhados de dúvidas e ruídos. E depois daqui, para onde vamos? Bom, se nem nós sabemos o que será do São Bernardo…
Mas, por enquanto, sabemos nosso destino até outubro! Iniciamos o ciclo no Sul do Brasil com Bicicletas de Nhanderú e Verdes Anos, filmes imersos em suas comunidades e paisagens regionais. O itinerário segue para o Rio de Janeiro, com Feminino Plural e A Super Fêmea, que tratam, cada um à sua maneira, de esgarçar as relações de gênero no Brasil dos anos 1970. A programação se encerra com a subida do olhar ao Morro da Babilônia, onde o milênio termina e começa a promessa de um novo futuro, um novo amanhecer, até então ainda misterioso. Babilônia 2000 encerra o primeiro ano de atividades do CSB.
Convidamos a todos para acompanharmos juntos esse Próximo Nascer do Sol, nas cinco sessões que compõem a programação de setembro e outubro do Cineclube São Bernardo.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO
Sessão 01 – 05/09/2024 – Bicicletas de Nhanderú
Direção: Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Ariel Kuaray Ortega
Ano: 2011
Duração: 48 min.
Classificação Indicativa: Livre
Sinopse: “Quando os deuses falam você não vê e nem escuta. O que Tupã fala, o que acontece na meditação é inexplicável. Sem perceber as palavras chegam e são ditas por você. Nós somos uma bicicleta de Nhanderú” diz o xamã Mbyá-Guarani. Dirigido por Patrícia Ferreira Pará Yxapy e Ariel Kuaray Ortega e produzido por meio do projeto Video nas Aldeias, este documentário nos coloca dentro da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul e nos convida a imergir no cotidiano e na cosmologia dos Mbya-Guarani do Sul do Brasil.
Sessão 02 – 19/09/2024 – Verdes Anos
Direção: Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase
Ano: 1984
Duração: 91 min.
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse: 1972. No interior gaúcho, acompanhamos os dias de uma turma de adolescentes. Bailes, brigas, noitadas, namoro, futuro. Nando (Werner Schunemann) e seus colegas curtem os últimos dias de colégio. Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase dirigem esta comédia dramática à moda de um coming of age atentos aos verdes anos e aos sonhos de seus protagonistas.
Sessão 03 – 10/10/2024 – Feminino Plural
Direção: Vera de Figueiredo
Ano: 1976
Duração: 80 min.
Classificação Indicativa: 16 anos
Sinopse: Um grupo de motoqueiras se reúne em uma casa afastada, onde performam uma série de proposições cênicas que tensionam o olhar sobre o corpo feminino. As mulheres buscam saída em um contexto de opressão nas relações de gênero vigentes e na situação política do país. Vera de Figueiredo realiza seu primeiro longa em meados dos anos 1970, no qual transgride com o modelo narrativo do cinema em busca de novas formas de expressão e da constituição de um cinema feminista brasileiro.
Sessão 04 – 17/10/2024 – A Super Fêmea
Direção: Aníbal Massaini Neto
Ano: 1973
Duração: 101 min.
Classificação Indicativa: 16 anos
Sinopse: Uma farmacêutica traz para o Brasil a pílula anticoncepcional para homens. Com o desafio de convencer os consumidores que, ao contrário do que pensam, o produto não causa impotência, a empresa contrata Eva (Vera Fischer) para estrelar a campanha publicitária do evento como a Super Fêmea. O produtor e diretor Aníbal Massaini Neto dirige este sucesso de seu tempo, uma inusual pornochanchada atenta aos movimentos políticos de seu tempo e apresentando o brilho de sua protagonista.
Sessão 05 – 31/10/2024 – Babilônia 2000
Direção: Eduardo Coutinho
Ano: 2000
Duração: 80 min.
Classificação Indicativa: 12 anos
Sinopse: Ventos de um novo milênio arrebentam na orla de Copacabana e morro acima. O cineasta Eduardo Coutinho se aproxima dos habitantes do Morro da Babilônia no último dia de 1999 para questioná-los sobre as expectativas que têm do ano que chega e sobre os preparativos das comunidades para o réveillon. Dramas pessoais, relatos de violência e instantes de festejos se entrelaçam nessa caminhada fílmica por ruas, casas e rostos de pessoas comuns, em uma das datas mais celebrativas do Brasil.


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